Do Morgado.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Europa chinesa.
("os chineses nos fizeram uma proposta interessante")
“A China está a aproveitar-se da sua força económica e da fraqueza europeia para comprar a Europa” e, com a sua crescente presença, está a “dividir as nações europeias”, alerta um estudo do European Council on Foreign Relations (ECFR).
A crise da dívida soberana que assola o Velho Continente “está a permitir às companhias chinesas não apenas conseguirem negócios a preços reduzidos, mas também colocarem os Estados-membros uns contra os outros e contra os seus próprios interesses colectivos”, lê-se no estudo A competição pela Europa, hoje divulgado.
“Outrora um grande mas distante parceiro comercial, a China é também agora um actor poderoso dentro da Europa”, afirmam François Godement e Jonas Parello-Plesner, os autores do estudo.
Segundo os investigadores, os números comprovam a expansão da presença chinesa em solo europeu. Há cinco anos, o investimento directo total da China na Europa atingiu 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 951 milhões de euros).
Só nos últimos dois anos, três aquisições de empresas chinesas em Espanha, Hungria e Noruega excederam, cada uma, aquele montante, sublinha o estudo do ECFR, organismo criado em 2007 e que se assume como o “o primeiro think-tank pan-europeu”.
Entre Outubro de 2010 e Março de 2011, as empresas e os bancos chineses investiram 64 mil milhões (aproximadamente 46,9 mil milhões de euros) em operações financeiras como fusões e aquisições de empresas. Este valor equivale a mais de metade do total do investimento directo da China na Europa desde 2008.
Para além dos investimentos directos em companhias, as recentes intervenções no mercado obrigacionista europeu da dívida pública, onde se impõe como um importante comprador, inclusive para Portugal, são a outra via para o aumento da influência na Europa da segunda maior economia do mundo.
A armadilha da crise da dívida
A dependência financeira da Europa em relação à China começa nos países endividados e periféricos do Mediterrâneo. “Portugal, Itália, Grécia e Espanha representam 30% do investimento da China na Europa”, enquanto a Europa Central e Oriental totalizam 10%.
Uma diferença “desproporcionalmente grande” se tivermos em conta “a dimensão global das economias” das duas regiões do Velho Continente. “De uma perspectiva europeia, pode parecer que a China está a explorar a zona vulnerável [soft underbelly] da Europa”, dizem os autores.
Esta expansão da presença Chinesa em terreno europeu ocorre no momento em que “a União Europeia começava a desenvolver uma estratégia [comercial] mais coordenada e agressiva em direcção à China”.
Porém, a necessidade de financiamento dos países europeus tem vindo sobrepor-se ao interesse comunitário. “Enquanto competem entre si para atrair o investimento chinês, os [países] europeus reduzem as suas possibilidades de negociar o acesso recíproco ao mercado chinês”, afirma o estudo.
“Os europeus não devem culpar a China por aproveitar a oportunidade de expandir a sua influência económica dentro da Europa”, nem devem “recorrer ao proteccionismo”, dizem os autores. “Devem, antes, unir-se em torno dos seus interesses colectivos”, de modo a que “as empresas europeias possam competir na China da mesma maneira que as companhias chinesas competem na Europa”, argumentam.
Assim, apesar de a influência europeia estar a criar “falhas geológicas” (fault lines) no seio do Velho Continente, a Europa “precisa e acolhe a presença chinesa”, devido à “necessidade de dinheiro a curto prazo”, concluem Godement e Parello-Plesner.
Fonte: http://economia.publico.pt/Noticia/estudo-europeu-garante-que-a-china-esta-a-comprar-a-europa-1512929
Ônibus espacial russo.
Cosmonauta russo: nossa nave era mais segura, e podia lançar bombas do espaço
O programa espacial russo da nave Buran durou muito pouco – apenas um voo, na verdade. Masde acordo com o cosmonauta Oleg Kotov, que já esteve na Estação Espacial Internacional, a espaçonave tinha um grande potencial, ultrapassando a rival americana tanto em salvar vidas como em destruí-las.
Kotov conversou com a New Scientist, explicando que o design da espaçonave Buran era superior por causa da segurança:
Ela teria permitido que toda a equipe escapasse em qualquer momento do voo; mesmo na base de lançamento havia um módulo de escape. A equipe de voo da NASA não tem essa oportunidade. A Buran tinha assentos ejetáveis para todos os membros da equipe. E isso inclui os que ficam no meio da cabine, que tinham assentos que ejetavam de lado.
A Buran poderia também ter evitado o terrível destino da Challenger, ao evitar a necessidade de combustível sólido na forma de espuma, que pode causar problemas:
Nós não tínhamos um tanque externo: o orbitador Buran ficava encaixado a um foguete Energia, não a um tanque. E esse foguete não precisava de espuma na sua superfície.
Mas e essa história de lançar bombas?
Ela foi criada originalmente como um sistema militar para lançar armas, quem sabe até armas nucleares… Um ônibus espacial é particularmente útil para isso porque ele pode mudar de órbita e trajetória – então é quase impossível se proteger de um ataque dele.
Bom que a Guerra Fria e os planos da Buran acabaram… [New Scientist]
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
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